AUTORRETRATOS

Aqui, o corpo já não é mais aquele em que vivo.
Aqui, é uma linha, um traço, uma pincelada,
um rastro espelhado e brilhante.
E todas as imagens digitais são assim:
desenhos de luz, 
sinais discretos e processados.
Aqui, retiro de mim a cobertura da carne,
escorro todo o sangue,
afino os ossos em fios luminosos,
e desfilo, pelas telas, parecida comigo.

Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra.

Hamlet contemporâneo,

sou e não sou

eu mesma.

 

Inspirado no texto Estrela de Fernando Faro